domingo, 27 de março de 2011
quarta-feira, 23 de março de 2011
O remetente
Me perguntaram se era paixão. Respondi, vai saber, de forma madura e sensata - por mais que lá no fundo eu bem saiba que maturidade e sensatez nunca me serviram pra nada. Eu disse que era feito de deixar levar. Concordaram, disseram que era melhor assim. Sem margens pra qualquer expectativa que dê espaço às pequenas (e dolorosas) ilusões, nada que me remeta ao escorrer do sangue frio da tua potencial - vai saber? - indiferença. Mas talvez, e somente, exista algum espaço pra nós dois. Talvez, e apenas, iremos estabelecer algum grau de contato que vai para além das nossas despedidas melodramáticas: todo aquele jogo que nos ronda. Vou escrevendo assim, ao corer dos meus dedos, à livre inspiração - que poderia ser você, mas penso em nós. Sim, totalmente sob a ótica do romantismo. Idealização. Aliás, é o que me resta. Ontem eu percorri teus espaços, trilhei teus caminhos, estava no teu hábitat, e ainda lembrei da minha primeira explosão. Faíscas laranjas, perfume cítrico, tua blusa branca, teu jeans, tua cegueira, teu estrabismo, o teu cuidado, o teu sorriso, o teu conforto. O meu desejo. Uma coisa, porém, me fere: naquele dia, eu não fui o teu destinatário. Não é a mim que você escreve.
sábado, 22 de janeiro de 2011
Mais um sábado chuvoso, sem cafés, sem músicas, sem leituras, com muita ausência, com muita falta, um grande silêncio. Mais um dia sem você. Assim, ausência de conexão física: sei que o cosmos, de alguma forma, nos liga. Você também sente? Talvez pelo simples de fato da proximidade que uni nossas casas, nossos caminhos, talvez pelo desejo implícito que ronda nossas palavras: eu quero você. Era um dia qualquer aí, sem muita novidade. Eu e meu jeans de sempre, aquela camisa azulada. Coloquei a melhor roupa, não sei se usei o melhor perfume, mas nos encontramos. Estrelas em choque, faíscas vermelhas. Isso começa a não fazer sentido, acho que vou parar.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Keep trying
Olha, tô indo embora. Não, não vou ficar muito distante: preciso mesmo de um tempo só. Só meu. Não sei se deixo recado na porta. Você me procuraria? Bata, bata aí. Não sei se atendo. Tenho café - chá, se preferir - bons livros, boa música, uma poltrona macia (gosta de perfume na casa?). Só me falta presença, meu bem. Por favor, sem cobranças. É que eu tô precisando ficar ausente, costurar minhas feridas pacientemente. Sou forte, tu me conhece. Não quero que me veja sofrendo. Eu sempre dou a volta por cima, não importa, tu me conhece, tu sabe. Tô saindo. Fechando a porta silenciosamente. Passos miúdos, coração apertado, devagarinho. Sem beijos, sem despedidas. É tudo uma questão: de continuar.
Deixo meus passos em terra molhada. Siga, caso queira.
Deixo meus passos em terra molhada. Siga, caso queira.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Rol dos sentimentos
Um doce, um abraço, um riso, uma gargalhada, um silêncio, uma irmã, um quatro, um poema, uma quinta (ou sábado?), uma luz, um sotaque, um "pode crer", uma sinceridade, uma consideração. Uma aprendizagem, um bem-querer, um significado - vocês também.
Muitos amigos ganhei nesse ano.
Feliz Natal.
Muitos amigos ganhei nesse ano.
Feliz Natal.
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