segunda-feira, 23 de maio de 2011

Keep trying. Again.

É tempo de seguir o caminho, o mesmo caminho já tão conhecido, tão trilhado. Faz pouco tempo, vestígios dos meus passos ainda descansam por lá. Dessa vez, caminha-se sozinho, sem companhia, sem esperar mão que oferece ajuda ou abrigo. Rezar mudamente, não em tom de súplica, mas em monólogo interior, secreto e só meu. A gente anda assim, sempre tão só. Não vai ser diferente, essa vez - nessa vez, dessa vez. Eu e as minhas feridas quase cicatrizadas (bem sei o destino dessas). Corte na derme, estigma que ninguém vê (alguns poucos sabem; na verdade, só Ela). Me faltam ainda alguns metros. Tem gente que faz a caminhada valer a pena - apesar das pedras. (Estou, ao meu modo, parafraseando Drummond.)

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Desisto: só tenho dezoito anos.
Falo até quando quero estar em silêncio. Silencio de maneira reversa. Que o leitor não se engane: o que aqui lê não passa de grande silêncio, rocha dura e quieta.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Vejo todo mundo sucumbir. Acho que vou sucumbir também. Usar a desculpa "está sendo como deveria ser" talvez tenha lá a sua razão de ser. Os outros estão no mesmo barco, o que me impede o embarque? Há sempre um barco, a questão é: estar dentro ou fora dele. Mas depois do barco tem a margem. E é lá que eles estão - eles, os privilegiados. Eles: quem eu gostaria de ser. Eles, água e sombra fresca. Eu num barco, afundando, a ver navios.

domingo, 27 de março de 2011

Quando existe reciprocidade, quando existe o mesmo interesse, quando existe o mesmo desejo: quando tudo não passa de um sonho.

quarta-feira, 23 de março de 2011

O remetente

Me perguntaram se era paixão. Respondi, vai saber, de forma madura e sensata - por mais que lá no fundo eu bem saiba que maturidade e sensatez nunca me serviram pra nada. Eu disse que era feito de deixar levar. Concordaram, disseram que era melhor assim. Sem margens pra qualquer expectativa que dê espaço às pequenas (e dolorosas) ilusões, nada que me remeta ao escorrer do sangue frio da tua potencial - vai saber? - indiferença. Mas talvez, e somente, exista algum espaço pra nós dois. Talvez, e apenas, iremos estabelecer algum grau de contato que vai para além das nossas despedidas melodramáticas: todo aquele jogo que nos ronda. Vou escrevendo assim, ao corer dos meus dedos, à livre inspiração - que poderia ser você, mas penso em nós. Sim, totalmente sob a ótica do romantismo. Idealização. Aliás, é o que me resta. Ontem eu percorri teus espaços, trilhei teus caminhos, estava no teu hábitat, e ainda lembrei da minha primeira explosão. Faíscas laranjas, perfume cítrico, tua blusa branca, teu jeans, tua cegueira, teu estrabismo, o teu cuidado, o teu sorriso, o teu conforto. O meu desejo. Uma coisa, porém, me fere: naquele dia, eu não fui o teu destinatário. Não é a mim que você escreve.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Temporariamente sem paciência pra qualquer tipo de esperança.